A tabela de preços da URBEL é o referencial que a Companhia Urbanizadora e de Habitação de Belo Horizonte publica para obras de urbanização em vilas, favelas e becos. Na consulta de 8 de outubro de 2026, a edição mais recente é a de julho de 2026, com cerca de 236 serviços, e os preços dela vêm sem BDI, em versão onerada e desonerada.
Este guia mostra o que há dentro da tabela, onde baixar e, principalmente, por que ela não funciona sozinha. Os serviços da URBEL são acréscimos ao Caderno de Encargos da SUDECAP, e as composições usam códigos de insumo no padrão da SUDECAP. Quem orça obra da URBEL usa as duas tabelas juntas. Nos planos pagos do i9 Obras há a base URBEL e a SUDECAP-BH, ambas com referência de julho de 2026.
Cada gasto entra vinculado à obra e o realizado é comparado com o orçado, etapa por etapa. Nos planos pagos, as 39 tabelas de preços vêm incluídas, sem custo adicional.
O que é a tabela de preços da URBEL
A tabela de preços da URBEL é o conjunto de preços e composições que a Companhia Urbanizadora e de Habitação de Belo Horizonte usa em obras de urbanização e habitação. A página oficial se chama "Tabela de Preços e Composições" e informa que as composições foram elaboradas de acordo com o Caderno de Encargos da SUDECAP, documento técnico que integra os editais e contratos da Prefeitura de Belo Horizonte.
O que a diferencia das outras tabelas públicas é o tipo de obra. Muitos itens trazem "em vilas e favelas" ou "em becos" na descrição, como escavação manual em beco, transporte de material ensacado nas costas, tubulão escavado à mão, escada de acesso e passarela. É serviço que não aparece na tabela de uma obra em terreno aberto. Para comparar como outros órgãos organizam suas tabelas, veja a tabela referencial do DER-ES.
O que há dentro da edição de julho de 2026
A tabela de serviços da edição de julho de 2026 traz o cabeçalho "Tabela mensal de preço unitário, mês de referência 07/26", com a indicação "sem BDI". Pela nossa contagem, são 236 serviços com preço, todos com origem URBEL, distribuídos em 23 capítulos. Os maiores são estes.
- 05 Galeria celular e/ou contenções. 44 itens.
- 18 Serviços diversos. 38 itens, entre eles equipamentos e patrulhas mensais.
- 19 Drenagem. 26 itens.
- 03 Trabalhos em terra. 23 itens.
- 01 Instalação da obra. 13 itens.
- 10 Instalações hidrossanitárias. 12 itens.
- 04 Fundações. 11 itens.
- 11 Instalação elétrica e telefônica. 10 itens.
- 32 Gerenciamento. 10 itens.
- 02 Demolições e remoções. 9 itens.
Os outros 13 capítulos têm de 1 a 7 itens cada, como pavimentação, manejo de vegetação, serralheria e pintura. Repare no peso das contenções, da drenagem e dos trabalhos em terra. É o retrato de obra em encosta e em beco.
Alguns valores reais da edição, todos de julho de 2026 e sem BDI, estão na tabela abaixo.
| Código | Serviço | Unidade | Desonerada (R$) | Onerada (R$) |
|---|---|---|---|---|
| 03.50.10 | Escavação manual de terrapleno em becos de vilas e favelas | m³ | 83,24 | 88,62 |
| 03.50.01 | Escavação manual em campo aberto, altura até 1,50 m, em vilas e favelas | m³ | 70,76 | 75,33 |
| 03.13.53 | Transporte de material ensacado nas costas | m³ x m | 9,72 | 9,88 |
| 04.01.53 | Escavação manual de tubulão, D = 90 cm, em vilas e favelas, exclusive encamisamento | m³ | 410,58 | 437,94 |
| 20.51.02 | Escada de acesso em concreto armado apoiada no solo, com rampa para carrinho de mão | m² | 390,93 | 400,48 |
| 01.31.08 | Passarela provisória de madeira (madeira roliça e tábuas) | m² | 264,82 | 277,04 |
| 18.71.09 | Arremate para beco em bloco de concreto cheio e estaca broca | m | 218,38 | 224,85 |
| 19.90.30 | Ligação domiciliar de esgoto, 3,0 m de tubo PVC 100 mm | un | 237,44 | 248,97 |
| 05.51.26 | Bate-choco em talude, com remoção de fragmentos soltos | m² | 14,60 | 15,57 |
| 32.01.01 | Engenheiro da obra | mês | 23.397,27 | 25.252,37 |
Compare as duas primeiras linhas. Escavar à mão em beco custa R$ 83,24 por m³, contra R$ 70,76 em campo aberto, na versão desonerada. São 17,6% a mais, e a causa está na composição. Em beco, a escavação leva 4,2 h de servente por m³, contra 3,57 h em campo aberto até 1,50 m, e 4,2 dividido por 3,57 também dá 17,6%. É o tipo de diferença que uma tabela genérica não captura.
São preços de julho de 2026. Se o edital pedir outra data-base, a conta muda.
E a tabela PTTS, de trabalho social
Junto da tabela de serviços, a URBEL publica uma segunda tabela, a do PTTS, o Projeto Técnico de Trabalho Social. Na edição de julho de 2026, ela tem 427 itens em 22 subgrupos, que cobrem elaboração do PTTS e diagnósticos, mobilização e comunicação social, educação socioambiental, desenvolvimento socioeconômico, remoção e reassentamento, avaliação, equipe técnica, veículos e escritório. Por exemplo, a elaboração do PTTS (código 71.01.01) sai por R$ 15.804,16 por unidade. A PTTS só foi publicada na versão onerada, sem BDI.
Em obra de urbanização com recurso de habitação, o trabalho social pode ter item próprio na planilha, então vale conhecer essa tabela.
Se você usa o i9 Obras
O i9 Obras tem, nos planos pagos, a base URBEL com referência de julho de 2026, liberada em 3 de outubro de 2026, e a SUDECAP-BH também em julho de 2026. A lista de tabelas de preços publicada pelo i9 Orçamentos, que reúne as bases do sistema, mostra a referência de cada uma. Ela não detalha o conteúdo, então confira no sistema se a base traz as versões onerada e desonerada e se a tabela PTTS entra, antes de lançar o valor na planilha. Se o edital pedir um item que você não encontre, monte o serviço como composição própria de custo unitário e registre a data-base.
A URBEL não vive sem a SUDECAP
A tabela da URBEL não é uma tabela completa de obra. Os 236 serviços estão encaixados nos capítulos do Caderno de Encargos da SUDECAP, a Superintendência de Desenvolvimento da Capital, e são acréscimos próprios da URBEL para o que a SUDECAP não cobre. Alguns grupos aparecem na tabela com origem SUDECAP, como o 03.13 (transporte de material de qualquer natureza) e o 04.01 (tubulão a céu aberto).
Isso tem uma consequência prática. Numa obra da URBEL, o concreto, a alvenaria, o revestimento e a instalação comum vêm da tabela da SUDECAP, e o que é específico de vila e de beco vem da URBEL. A planilha costuma misturar as duas origens, e é o edital que diz qual vale para cada item.
As composições seguem o padrão da SUDECAP
A planilha de composições da edição de julho de 2026 tem 266 composições. Elas mostram só o insumo e o consumo (o coeficiente), sem preço. O preço sai de aplicar os coeficientes aos insumos da tabela de insumos do mesmo mês, e os códigos de mão de obra e de material seguem o padrão da SUDECAP, como o servente de obras (55.10.88), o encanador (55.10.39) e o aço CA-50 de 8 mm (60.05.28). Algumas composições citam também uma referência do SINAPI ou do DNIT.
A escavação manual em beco, serviço 03.50.10, tem uma composição enxuta.
| Item | Consumo | Valor (R$) |
|---|---|---|
| Servente de obras | 4,2 h por m³ | 83,24 |
| Valor implícito da hora (83,24 dividido por 4,2) | 1 h | 19,82 |
A composição não tem mais nada além de 4,2 horas de servente por metro cúbico. Na versão onerada, o mesmo cálculo (88,62 dividido por 4,2) dá R$ 21,10 por hora. A hora implícita é conta nossa, feita sobre o preço final, e não um valor lido na tabela de insumos.
Um exemplo com mais insumos é a ligação domiciliar de esgoto (19.90.30). A composição leva 1,05 h de auxiliar, 1,05 h de encanador, 6,444 h de servente, 0,6 tubo de PVC de 100 mm de 6 m e 0,6 anel de borracha. Se você usar a composição para recompor o preço com a sua própria mão de obra, ela mostra exatamente o que entra.
Preço sem BDI, onerado ou desonerado
Na tabela de serviços da URBEL, o preço unitário vem sem BDI. O cabeçalho das duas planilhas diz isso. É o oposto da tabela de preços do DER-SP e de outras tabelas que trazem o BDI embutido, e por isso o BDI aqui fica inteiro por sua conta. Você lança o preço da tabela como custo direto e aplica o BDI da sua proposta uma vez, dentro do que o edital aceitar. Para entender como esse percentual se forma, veja o que é BDI e como calculá-lo.
Onerada e desonerada
A URBEL publica a tabela de serviços em duas versões, a onerada e a desonerada. A diferença vem sobretudo dos encargos sobre a mão de obra, e é a regra do edital que diz qual das duas você usa. Na edição de julho de 2026, em 30 dos 236 serviços os preços são iguais nas duas versões. Nos outros 206, a onerada é maior. A diferença mediana, calculada sobre os 236 serviços e não só sobre os 206, é de 2,3%, e a máxima é de 8,2%.
Sobre os encargos, a página da URBEL de encargos sociais básicos, com período de janeiro de 2025, remete à tabela do SINAPI para Minas Gerais, que está no Apêndice 13 do caderno "SINAPI – Cálculos e Parâmetros", da CAIXA, com vigência a partir de 01/2025. Para o horista, o total é de 93,83% com desoneração e de 116,79% sem desoneração. A diferença principal está no INSS do grupo A, de 5% com desoneração e de 20% sem. Esses percentuais são de janeiro de 2025. A desoneração da folha está em transição desde 2025, e em 2026 o INSS com desoneração subiu, então confira a tabela de encargos vigente na data-base do edital. Para o mensalista, os totais são de 55,49% e de 73,93%.
Esses percentuais são a indicação de encargos básicos da URBEL, e não a prova de como cada preço da tabela foi calculado. Na escavação em beco, que é só mão de obra, a versão onerada sai 6,5% maior, enquanto os encargos de horista dariam 11,8%. Não conseguimos reproduzir a diferença a partir deles, então use as colunas onerada e desonerada como foram publicadas e não recalcule os preços por conta própria.
Quanto mais mão de obra no serviço, maior tende a ser a diferença. O engenheiro da obra custa R$ 23.397,27 por mês na desonerada e R$ 25.252,37 na onerada, ou 7,9% a mais. Já o transporte de material ensacado nas costas passa de R$ 9,72 para R$ 9,88, porque a composição é quase toda saco de ráfia (0,13 h de servente e 2,04 sacos) e pesa pouco em mão de obra. Em uma planilha de centenas de linhas, misturar as duas versões desloca o total sem que ninguém perceba.
O caminho é um só. Veja no edital se a proposta deve ser onerada ou desonerada e use a mesma versão em todos os itens, da URBEL e da SUDECAP.
Onde encontrar a tabela da URBEL hoje
O caminho até os arquivos
A página de tabela de preços e composições da URBEL, no portal da Prefeitura de Belo Horizonte, lista os arquivos em planilha. Na consulta de 8 de outubro de 2026, a página aparecia como atualizada em 11 de setembro de 2026, e o portal pode demorar para abrir. A edição de julho de 2026 traz sete arquivos, que são as composições de serviços, as composições do PTTS, a tabela de serviços desonerada, a tabela de serviços onerada, a tabela de insumos onerada, a tabela de insumos desonerada e a tabela PTTS.
A base-mãe fica na página de tabela de preços da SUDECAP, que também publicou a edição de julho de 2026. Segundo a própria SUDECAP, a tabela é uma "referência de preço máximo, destinada à orientação, mas sem caráter obrigatório".
Qual é a edição mais recente
A edição mais recente é a de julho de 2026. A cadência é trimestral desde 2024, com edições em janeiro, abril, julho e outubro, e com exceções. Em 2025, por exemplo, a página listou edições em janeiro, abril, julho, setembro e outubro. Em 2023 houve cinco edições irregulares, e entre 2020 e 2022 as edições eram quase mensais. Os arquivos antigos ficam compactados.
Por isso, leia sempre o edital e o termo de referência para saber qual edição e qual data-base ele adota, e não presuma que a mais recente vale.
Como a tabela entra no seu orçamento
Cada serviço da planilha recebe o preço unitário de uma fonte, e a composição mostra de onde esse preço vem. Com a URBEL, confira quatro pontos antes de lançar qualquer valor.
O primeiro é a origem do item. Se o serviço é de vila, de beco ou de contenção, procure na URBEL. Se é um serviço comum de obra, procure na SUDECAP. Quando o edital citar só uma das duas, a outra costuma ser necessária para fechar a planilha.
O segundo é o BDI. O preço da URBEL não tem BDI, então ele entra como custo direto. Confira também no cabeçalho da SUDECAP se os itens que você tirar de lá estão com ou sem BDI, para não aplicar o seu percentual duas vezes.
O terceiro é a versão onerada ou desonerada. Use a que o edital pedir e a mesma em todas as linhas.
O quarto é a data-base. Se o edital pede uma data diferente de julho de 2026, a composição da URBEL serve de modelo de consumo, mas o mais seguro é recompor os insumos com os preços da data pedida, como os do SINAPI, salvo se o edital indicar um índice de reajuste.
Para que a tabela serve além do edital
A tabela é útil de três formas. Primeiro, como referência de composição, porque mostra quanta mão de obra e quanto material entram em um serviço de beco, algo difícil de achar em outras fontes. Segundo, para edital que a cite, caso em que a data-base é a que ele disser. Terceiro, para conferir um preço que parece fora da curva, como o de uma escavação mecânica cobrada como se fosse manual.
Erros comuns ao usar a tabela em licitação
- Orçar só com a tabela da URBEL. Ela traz cerca de 236 serviços específicos e depende da SUDECAP para o restante. Uma planilha só com URBEL fica incompleta.
- Esquecer que o preço vem sem BDI. Se você lançar o valor da tabela como preço final, a proposta sai sem BDI e perde margem. Aplique o BDI da proposta sobre o custo direto.
- Misturar onerada e desonerada. A diferença mediana é de 2,3% e chega a 8,2%. Use a versão que o edital pedir, em todas as linhas.
- Usar preço de campo aberto em beco. A escavação manual em beco custa 17,6% a mais que em campo aberto, na desonerada. Escolha o item pelo acesso da obra.
- Tratar a SUDECAP como obrigatória. A própria SUDECAP define a tabela como referência de preço máximo, sem caráter obrigatório. O que vale é o que o edital disser.
- Ignorar a tabela PTTS. Obra com trabalho social pode ter item próprio. Procure ali antes de inventar um preço.
- Dar desconto sem refazer a conta. Antes de baixar o preço, veja como dar desconto em licitação sem perder a margem.
Resumo para quem orça em Belo Horizonte
Quem orça obra da URBEL precisa lembrar de três coisas. O preço vem sem BDI, a tabela tem versão onerada e desonerada, e ela só funciona junto da SUDECAP. Lance o preço como custo direto, aplique o BDI da proposta uma só vez, use a mesma versão em todas as linhas e confira a data-base do edital. Para ver outras bases em um só lugar, veja as tabelas de preços do i9 Obras.
Depois de ganhar a licitação, a conta muda de lado e passa a ser o custo real. No i9 Obras você acompanha orçamento, financeiro por obra e compras de cada obra no mesmo sistema. Para conhecer o sistema, crie sua conta grátis.
Para ir direto à fonte, acesse a página de tabela de preços da URBEL.



