Se você chegou aqui procurando "tabela IOPES", está atrás dela mesma — só que o nome mudou. O IOPES (Instituto de Obras Públicas do Estado do Espírito Santo) foi extinto em 2019. As atribuições, incluindo a própria tabela, passaram para o DER-ES.
Este guia mostra onde encontrar a edição vigente hoje, como a tabela referencial de preços do DER-ES (antigo IOPES) entra na composição de custo do seu orçamento e os erros mais comuns de quem ainda procura pelo nome antigo.
O que é a tabela referencial de preços do DER-ES
A tabela referencial de preços do DER-ES (antigo IOPES) é uma base de preços unitários e composições de custo, organizada por serviço de engenharia, usada como referência oficial em licitações de obras públicas no Espírito Santo.
Ela cumpre no ES o mesmo papel que o SINAPI cumpre no país inteiro: dar ao órgão público — e a quem concorre com ele — um preço de referência para cada item do orçamento, da escavação ao revestimento, de rodovia a edificação.
Existem duas frentes publicadas separadamente: a tabela de edificações e a tabela de rodovias, cada uma com sua própria linha de edições.
Se você usa o i9 Obras
Hoje o sistema carrega a tabela de Edificações do DER-ES — a de Rodovias ainda não está disponível nele. O restante deste guia vale para as duas frentes, mas essa é a que você encontra dentro do sistema.
Dentro da tabela de edificações, o DER-ES ainda separa dois grupos de serviço, com cadências diferentes: a série de obras, atualizada mensalmente, e a série de projetos — levantamento arquitetônico, projeto arquitetônico, projeto estrutural —, atualizada uma vez por ano. Essa lista não esgota os itens de nenhuma das duas séries: confira a edição vigente de cada uma para ver o levantamento completo.
IOPES virou DER-ES: entenda a mudança de nome
Quando aconteceu a fusão
O Instituto de Obras Públicas do Estado do Espírito Santo foi criado em 2007, pela Lei Complementar nº 381, quando o antigo Dertes foi dividido em duas autarquias: o próprio IOPES e o Departamento de Estradas de Rodagem (DER-ES).
Essa divisão durou pouco mais de uma década. Em 30 de outubro de 2019, a Lei Complementar nº 926 extinguiu o IOPES e transformou o Departamento de Estradas de Rodagem no Departamento de Edificações e de Rodovias do Estado do Espírito Santo — mantendo a sigla DER-ES, mas ampliando o que ela cobre.
Na prática, as duas autarquias que cuidavam de obras no estado viraram uma só, vinculada à Secretaria de Estado de Mobilidade e Infraestrutura (Semobi).
O que muda para quem usa a tabela
Nada na lógica de aplicar a tabela mudou — mudou quem publica. Hoje o site oficial do DER-ES concentra as edições vigentes da Tabela Referencial de Edificações e da Tabela Referencial de Rodovias, além do histórico de tabelas anteriores.
Esse histórico está documentado no próprio site do DER-ES: as edições mais antigas do arquivo de obras e de projetos ainda aparecem nomeadas com IOPES — "Tabela Referencial Obras - IOPES - 2007", "TABELA REFERENCIAL PROJETOS - IOPES - 2009 (MARÇO)" — e o nome muda para DER-ES a partir de certo ponto do histórico. É por isso que ainda aparece gente buscando uma edição antiga pelo nome e pelo código de data com que ela foi originalmente publicada.
Atenção ao domínio antigo
O endereço antigo do IOPES ainda responde no ar. Isso não significa que ele seja a fonte a seguir: a autarquia que ele representava não existe mais desde 2019. Se você encontrar uma tabela por lá, confirme a data de publicação antes de usar — a referência atual é o site do DER-ES.
Onde encontrar a tabela referencial de preços do DER-ES hoje
O DER-ES publica a tabela em duas seções separadas no site oficial: Tabela Referencial de Edificações e Tabela Referencial de Rodovias. As edições saem periodicamente — não é uma tabela fixa, publicada uma vez e esquecida.
Cada arquivo carrega a data de referência no nome — mês e ano, e em algumas séries, o dia. Isso não é burocracia: é o dado que diz se você está olhando a edição vigente ou uma edição já arquivada.
Esse detalhe derruba o orçamento com frequência. O orçamentista baixa a tabela, monta a planilha, e semanas depois o edital sai citando outra data-base — porque a base regional muda de período a período. Antes de fechar qualquer proposta, confira no próprio edital qual data-base é exigida e compare com a data do arquivo que você está usando.
Procurando uma edição antiga por um código numérico no nome do arquivo? É assim mesmo que o DER-ES (e antes dele o IOPES) organiza o histórico — pela data. Vale conferir, junto ao edital, se a edição que você precisa é realmente essa ou se existe uma mais recente.
Como a tabela do DER-ES entra na composição de custo do seu orçamento
A tabela referencial de preços do DER-ES (antigo IOPES) serve de origem para o preço unitário de cada composição de custo do seu orçamento — o mesmo raciocínio de montar composição a partir do SINAPI, só que com a base regional do Espírito Santo.
Isso importa porque preço nacional e preço regional nem sempre coincidem: insumo, frete, disponibilidade de mão de obra e logística variam de estado para estado. Um edital do ES que exige a base DER-ES está pedindo, explicitamente, que você não generalize um preço nacional para a realidade local.
Para quem trabalha com prazo curto de licitação — a rotina de boa parte dos donos de construtora no ES —, isso costuma ser o ponto de atrito: falta tempo para conferir se a base usada bate com a exigida, e um erro aqui não aparece na hora, aparece na fase de julgamento das propostas, quando já é tarde para corrigir.
E para quem monta orçamento sozinho, sem uma equipe grande de apoio — o autônomo que sente falta de uma base regional pronta —, a dificuldade é outra: encontrar a fonte certa, atualizada, sem depender de arquivo repassado por terceiro e sem saber se ainda vale.
A mesma tabela também vale do outro lado da mesa. Quando você recebe proposta de subempreiteiro ou fornecedor, comparar o preço apresentado com o valor de referência do DER-ES mostra se aquele número se sustenta ou está fora da realidade regional — para cima ou para baixo. Serve tanto para o dono de obra que contrata terceiro quanto para quem faz orçamento por conta própria e às vezes é chamado só para conferir a proposta de outra pessoa. Esse cruzamento entre preço proposto e preço de referência é parte da rotina de gestão de custos da obra: quanto mais cedo o desvio aparece, menor o risco de ele virar prejuízo lá na frente.
Erros comuns ao usar a tabela do DER-ES (antigo IOPES) em licitação
- Usar edição vencida. Baixar a tabela uma vez e reaproveitar no próximo edital sem checar se saiu edição nova.
- Puxar a tabela do DER de outro estado. A sigla DER não é exclusiva do Espírito Santo, e nem sempre cobre a mesma coisa: aqui, DER-ES é Departamento de Edificações e de Rodovias — cobre as duas frentes porque absorveu o IOPES em 2019. No Paraná, por exemplo, DER-PR é Departamento de Estradas de Rodagem, só rodoviária, sem tabela de edificações nenhuma. Quem busca "tabela DER" sem fixar o estado corre o risco de abrir a base errada — e a diferença não é só geográfica, é de escopo. Confira o estado no próprio nome do arquivo, não só a sigla. Se a obra for no Paraná, veja a Tabela DER-PR.
- Confundir tabela de edificações com tabela de rodovias. São bases publicadas separadamente, com preços diferentes para itens que parecem semelhantes.
- Procurar só pelo nome antigo e desistir. Quem busca "IOPES" como instituição pode concluir que a tabela sumiu — ela não sumiu, só mudou de endereço.
- Não registrar fonte e data-base no orçamento entregue. Editais costumam pedir que a composição identifique a data-base usada; deixar isso de fora é motivo comum de diligência.
- Misturar preços de edições diferentes na mesma planilha. Alguns itens da edição antiga, outros da nova, sem perceber — o erro mais difícil de detectar porque a planilha "fecha" sem alertar nada.
Erro de base de preço também é erro de margem — o desconto que parecia seguro na hora de montar a proposta pode não sobrar depois. Se esse é o seu momento, veja Como dar desconto em licitação sem perder a margem.
Depois de vencer a licitação: o que a tabela previu x o que a obra gastou
A tabela referencial resolve o orçamento de entrada — o preço que você propôs para ganhar a licitação. Ela não acompanha a obra depois.
O que a obra realmente gasta, mês a mês, insumo a insumo, é outra conta — e é onde a margem calculada na proposta se confirma ou desmonta. Para fechar o resultado da obra no fim, veja DRE de obra, o que é e como montar.
Cada estado tem a sua tabela
O Espírito Santo é um caso — cada estado tem sua própria tabela regional, com seu próprio histórico e suas próprias armadilhas de nome. Quem orça em mais de um estado convive com bases diferentes, datas-base diferentes e critérios de atualização diferentes ao mesmo tempo.
Veja o panorama completo em Tabelas de Preços.



