O valor médio do metro quadrado da construção no Brasil é de R$ 1.999,73, segundo o SINAPI de setembro de 2026 com desoneração da folha de pagamento, divulgado pelo IBGE em 9 de outubro de 2026. Desse total, R$ 1.127,17 são de material e R$ 872,56 de mão de obra. O CUB, calculado pelos Sinduscons de cada estado, é a outra referência, e as duas respondem a perguntas diferentes.
Este texto traz os valores do SINAPI por região e por estado, explica o CUB e mostra como ajustá-lo. Para quem já está tocando a obra, mostra também como usar o m² de referência para descobrir cedo se o custo realizado está fora do esperado. Se você precisa de um número para a construção que vai orçar, o metro quadrado de referência é o ponto de partida. Para montar orçamentos que o cliente entenda, ele é também o argumento mais fácil de explicar.
Atualizado em , com o SINAPI de setembro de 2026.
Cada gasto entra vinculado à obra e o realizado é comparado com o orçado, etapa por etapa. Nos planos pagos, as 39 tabelas de preços vêm incluídas, sem custo adicional.
Qual é o valor do metro quadrado da construção em 2026?
Em setembro de 2026, o custo médio do metro quadrado no Brasil pelo SINAPI com desoneração é de R$ 1.999,73. Entre os estados, o valor vai de R$ 1.776,31 em Sergipe a R$ 2.317,08 no Acre (SINAPI/IBGE, setembro de 2026). O CUB, por sua vez, tem um valor próprio para cada estado e para cada padrão de acabamento, e é tratado mais adiante.
Não existe "o" valor do metro quadrado, existe o valor de uma referência, em um mês, para um local. O preço real da sua obra se afasta da média por quatro motivos principais.
- Região. Material e mão de obra custam diferente de um estado para outro, como a tabela mais abaixo mostra.
- Padrão de acabamento. Uma obra de acabamento simples e uma de alto padrão não cabem na mesma média.
- Logística. Distância da obra até o fornecedor e dificuldade de acesso encarecem o material que chega ao canteiro.
- Momento do mercado. Em época de muita obra, mão de obra e insumos sobem acima da média.
O que é o SINAPI e o que entra no custo do metro quadrado?
O SINAPI (Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil) é o sistema do IBGE e da Caixa que pesquisa os preços de insumos e mão de obra da construção e publica, todo mês, o custo médio do metro quadrado por local.
Esse custo soma material e mão de obra da execução da obra. Fica de fora, entre outros itens, o terreno, os projetos, as taxas, a administração da obra, os equipamentos e as instalações provisórias. A lista completa está na página de conceitos e métodos do IBGE, e vale conferi-la antes de comparar o SINAPI com qualquer outro número.
Na prática, isso significa que o valor do SINAPI é um piso de partida para a conta do empreendimento, e não o total que o cliente vai desembolsar.
Para obras e serviços de engenharia com recursos da União, o SINAPI é a referência oficial de custo (art. 3º do Decreto 7.983/2013), exceto as obras de infraestrutura de transporte, que usam o SICRO (art. 4º). Por isso é o número que o orçamentista de licitação já conhece.
Quanto custa o metro quadrado pelo SINAPI em setembro de 2026?
Pelo SINAPI de setembro de 2026, com desoneração da folha de pagamento, o custo médio nacional do metro quadrado é de R$ 1.999,73, dividido em R$ 1.127,17 de material (56,4%) e R$ 872,56 de mão de obra (43,6%). O SINAPI publica também a versão sem desoneração, que em setembro de 2026 chega a R$ 2.105,86 no Brasil, cerca de 5,3% a mais (caderno do SINAPI de setembro de 2026). Os valores das tabelas deste texto são todos com desoneração. Confira no edital ou no contrato qual dos dois se aplica à sua obra.
A variação em relação ao mês anterior foi de 0,30%, a mesma que o IBGE destacou na divulgação de 9 de outubro de 2026. No acumulado de 2026, até setembro, o custo subiu 5,72%, e em 12 meses a alta é de 6,81% (IBGE, SIDRA, tabela 2296).
Esses números são uma média ponderada de projetos residenciais de padrão normal e servem como régua. Obras com acabamento muito acima da média pedem uma referência própria, como a do valor do metro quadrado em obras de alto padrão.
Qual é o valor do metro quadrado por região e por estado?
O metro quadrado é mais caro no Sul (R$ 2.131,64) e mais barato no Nordeste (R$ 1.877,26), uma diferença de cerca de 13,6% entre as duas regiões. Entre estados, o Acre tem o valor mais alto (R$ 2.317,08) e Sergipe o mais baixo (R$ 1.776,31), uma diferença de cerca de 30% (SINAPI/IBGE com desoneração, setembro de 2026).
| Região | Total | Material | Mão de obra | Mês | Ano | 12 meses |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Brasil | R$ 1.999,73 | R$ 1.127,17 | R$ 872,56 | 0,30% | 5,72% | 6,81% |
| Norte | R$ 2.047,95 | R$ 1.234,78 | R$ 813,17 | 0,16% | 5,37% | 6,62% |
| Nordeste | R$ 1.877,26 | R$ 1.109,01 | R$ 768,25 | 0,32% | 6,87% | 7,62% |
| Sudeste | R$ 2.032,87 | R$ 1.093,22 | R$ 939,65 | 0,14% | 4,64% | 6,18% |
| Sul | R$ 2.131,64 | R$ 1.138,59 | R$ 993,05 | 0,07% | 5,47% | 6,14% |
| Centro-Oeste | R$ 2.052,94 | R$ 1.207,83 | R$ 845,11 | 1,34% | 7,35% | 8,14% |
| Estado | Total | Material | Mão de obra | 12 meses |
|---|---|---|---|---|
| Rondônia | R$ 2.192,56 | R$ 1.304,50 | R$ 888,06 | 6,01% |
| Acre | R$ 2.317,08 | R$ 1.403,01 | R$ 914,07 | 9,02% |
| Amazonas | R$ 2.000,96 | R$ 1.130,17 | R$ 870,79 | 6,09% |
| Roraima | R$ 2.150,40 | R$ 1.249,26 | R$ 901,14 | 5,68% |
| Pará | R$ 1.995,72 | R$ 1.241,12 | R$ 754,60 | 6,45% |
| Amapá | R$ 2.031,43 | R$ 1.261,14 | R$ 770,29 | 6,43% |
| Tocantins | R$ 2.073,48 | R$ 1.277,87 | R$ 795,61 | 8,29% |
| Maranhão | R$ 1.974,63 | R$ 1.202,92 | R$ 771,71 | 8,97% |
| Piauí | R$ 1.877,32 | R$ 1.125,03 | R$ 752,29 | 6,55% |
| Ceará | R$ 1.885,79 | R$ 1.136,47 | R$ 749,32 | 6,43% |
| Rio Grande do Norte | R$ 1.870,25 | R$ 1.134,45 | R$ 735,80 | 7,19% |
| Paraíba | R$ 1.928,77 | R$ 1.109,60 | R$ 819,17 | 6,10% |
| Pernambuco | R$ 1.796,82 | R$ 1.046,81 | R$ 750,01 | 7,45% |
| Alagoas | R$ 1.844,15 | R$ 1.104,36 | R$ 739,79 | 7,53% |
| Sergipe | R$ 1.776,31 | R$ 1.034,77 | R$ 741,54 | 6,82% |
| Bahia | R$ 1.877,90 | R$ 1.084,53 | R$ 793,37 | 8,40% |
| Minas Gerais | R$ 1.866,17 | R$ 1.057,59 | R$ 808,58 | 6,72% |
| Espírito Santo | R$ 1.805,09 | R$ 1.010,04 | R$ 795,05 | 6,57% |
| Rio de Janeiro | R$ 2.177,76 | R$ 1.124,30 | R$ 1.053,46 | 5,77% |
| São Paulo | R$ 2.093,45 | R$ 1.108,89 | R$ 984,56 | 6,02% |
| Paraná | R$ 2.161,79 | R$ 1.131,58 | R$ 1.030,21 | 6,71% |
| Santa Catarina | R$ 2.251,60 | R$ 1.148,33 | R$ 1.103,27 | 6,30% |
| Rio Grande do Sul | R$ 1.965,41 | R$ 1.140,96 | R$ 824,45 | 4,82% |
| Mato Grosso do Sul | R$ 1.943,03 | R$ 1.126,99 | R$ 816,04 | 6,91% |
| Mato Grosso | R$ 2.137,17 | R$ 1.267,83 | R$ 869,34 | 7,70% |
| Goiás | R$ 2.023,62 | R$ 1.169,93 | R$ 853,69 | 10,14% |
| Distrito Federal | R$ 2.056,50 | R$ 1.235,88 | R$ 820,62 | 6,91% |
O que a tabela mostra, em quatro pontos.
- A mão de obra pesa mais no Sul e no Sudeste. No Sul ela representa 46,6% do custo do m². No Norte, 39,7%. Santa Catarina tem a mão de obra mais cara (R$ 1.103,27) e o Rio Grande do Norte a mais barata (R$ 735,80).
- O material pesa mais no Norte. O Acre tem o material mais caro (R$ 1.403,01) e o Espírito Santo o mais barato (R$ 1.010,04).
- A alta em 12 meses não é igual em todo lugar. Goiás lidera, com 10,14%, e o Rio Grande do Sul tem a menor, com 4,82%. Se a sua proposta é de seis meses atrás, o número usado nela já está defasado.
- O mês de setembro teve pontos fora da curva. Mato Grosso subiu 3,34% e Alagoas 1,84% no mês, contra 0,30% da média nacional.
Se a sua obra é no Sudeste, onde a mão de obra é cerca de 46% do custo, uma diferença de salário de equipe mexe mais no resultado do que uma diferença de preço de cimento.
Para olhar o componente da mão de obra com mais detalhe, vale ver quanto custa a mão de obra de pedreiro.
Como o custo do metro quadrado evoluiu de dezembro de 2025 a setembro de 2026?
O custo médio do m² no Brasil subiu 5,72% de dezembro de 2025 a setembro de 2026, de R$ 1.891,63 para R$ 1.999,73. Nesse período a mão de obra subiu 7,31% e o material, 4,54% (SINAPI/IBGE, SIDRA, tabela 2296).
A série abaixo mostra mês a mês o custo total, o de material, o de mão de obra e a variação do mês.
| Mês | Total | Material | Mão de obra | Var. no mês |
|---|---|---|---|---|
| Dezembro de 2025 | R$ 1.891,63 | R$ 1.078,39 | R$ 813,24 | 0,51% |
| Janeiro de 2026 | R$ 1.920,74 | R$ 1.081,31 | R$ 839,43 | 1,54% |
| Fevereiro de 2026 | R$ 1.925,08 | R$ 1.085,16 | R$ 839,92 | 0,23% |
| Março de 2026 | R$ 1.932,27 | R$ 1.089,78 | R$ 842,49 | 0,37% |
| Abril de 2026 | R$ 1.946,09 | R$ 1.098,80 | R$ 847,29 | 0,72% |
| Maio de 2026 | R$ 1.953,08 | R$ 1.104,59 | R$ 848,49 | 0,36% |
| Junho de 2026 | R$ 1.976,37 | R$ 1.114,74 | R$ 861,63 | 1,19% |
| Julho de 2026 | R$ 1.985,10 | R$ 1.120,13 | R$ 864,97 | 0,44% |
| Agosto de 2026 | R$ 1.993,76 | R$ 1.124,06 | R$ 869,70 | 0,44% |
| Setembro de 2026 | R$ 1.999,73 | R$ 1.127,17 | R$ 872,56 | 0,30% |
| Acumulado, dez/2025 a set/2026 | 5,72% | 4,54% | 7,31% | não se aplica |
Quem puxou a alta foi a mão de obra. Ela responde por 43,6% do custo do m², mas ficou com R$ 59,32 dos R$ 108,10 de aumento do período, ou 54,9%. E ela sobe em degraus. Em janeiro, a mão de obra subiu 3,22% (de R$ 813,24 para R$ 839,43). Segundo o fascículo do IBGE de janeiro de 2026, a alta veio da reoneração da folha de pagamento do setor (Lei 14.973/2024, com alíquota de 10%) e, em alguns estados, do reajuste do salário mínimo, de 6,79%. Em junho, subiu 1,55% (de R$ 848,49 para R$ 861,63), por acordos coletivos firmados em vários estados, conforme o caderno do IBGE de junho de 2026. Os dois saltos somam R$ 39,33, cerca de dois terços de toda a alta da mão de obra no período. Nos outros meses ela andou devagar.
Na prática, quem fecha empreitada por preço fixo deve olhar se o contrato foi assinado antes ou depois desses degraus, porque a mão de obra pode ter subido por mudança na lei ou por acordo coletivo no meio do caminho. E olhar a série inteira, e não só o último mês, evita corrigir uma proposta pelo número de um mês e esquecer que o custo vem andando desde janeiro.
O que é o CUB e como ele é calculado?
O CUB (Custo Unitário Básico da Construção) é o indicador que os Sinduscons de cada estado calculam todo mês, com base em projetos-padrão definidos pela ABNT NBR 12.721:2006, para estimar o custo do metro quadrado de uma edificação.
Os projetos-padrão cobrem residências, prédios de apartamentos e edifícios comerciais, em três níveis de acabamento, baixo, normal e alto. O resultado é um valor por estado, por tipo de projeto e por padrão. O mais usado em residência é o R1-N, de residência unifamiliar de padrão normal.
No cálculo entram o preço dos materiais, a mão de obra, as despesas administrativas e os equipamentos. Quem divulga o valor é o Sinduscon de cada estado (o de São Paulo é um exemplo), e o valor é atualizado todo mês.
O CUB é uma estimativa. Ele não inclui, entre outros itens, o terreno, as fundações, os elevadores, os projetos, os impostos e as taxas, nem a remuneração do construtor e do incorporador. Usar o CUB cru como preço de venda é erro frequente, e é por isso que ele precisa de ajustes.
Como ajustar o CUB para chegar ao custo da obra?
Para sair do CUB e chegar ao custo da obra, a regra prática é somar cerca de 5% para as fundações, que o CUB não inclui e que mudam conforme o solo, cerca de 7% para projetos, taxas e burocracia, aplicar um BDI em torno de 30% e, por fim, somar o terreno. São percentuais de partida para estimativa rápida, não regra, e devem ser confirmados com o histórico da sua empresa.
O BDI é o percentual que cobre custos indiretos, impostos, administração e lucro. Os 30% são uma ordem de grandeza comum, mas o BDI de uma proposta real é calculado para aquela obra e aquele contrato.
Exemplo de cálculo, com valor hipotético
Considere uma casa de 100 m² e um valor base de R$ 2.000,00 por m². Esse valor é só para fazer a conta, não é o CUB de nenhum estado.
| Item | Cálculo | Valor |
|---|---|---|
| Custo base | 100 m² × R$ 2.000,00 | R$ 200.000,00 |
| Fundações | 5% de R$ 200.000,00 | R$ 10.000,00 |
| Projetos e taxas | 7% de R$ 200.000,00 | R$ 14.000,00 |
| Subtotal | soma dos três | R$ 224.000,00 |
| BDI | 30% de R$ 224.000,00 | R$ 67.200,00 |
| Total, sem terreno | subtotal mais BDI | R$ 291.200,00 |
| Por m² | R$ 291.200,00 ÷ 100 m² | R$ 2.912,00 |
O valor final por m² ficou 45,6% acima do valor base. É isso que a conta mostra, e a razão de nunca passar ao cliente o CUB sem os ajustes. O terreno é somado depois.
Qual é o CUB por estado no último mês divulgado?
Os valores abaixo são do CUB R1-N (residência unifamiliar, padrão normal), como divulgado na tabela principal de cada Sinduscon, no último mês publicado. Dos 13 estados da tabela, nove já tinham o valor de setembro de 2026 e quatro ainda estavam em agosto de 2026 na data do levantamento. Por isso a tabela traz uma coluna de mês, e os valores de meses diferentes não devem ser comparados entre si sem essa ressalva.
| Estado | Sinduscon | Mês | R1-N (R$/m²) |
|---|---|---|---|
| São Paulo | Sinduscon-SP | Setembro de 2026 | R$ 2.690,33 |
| Rio de Janeiro | Sinduscon-Rio | Setembro de 2026 | R$ 2.990,86 |
| Rio Grande do Sul | Sinduscon-RS | Setembro de 2026 | R$ 3.452,09 |
| Espírito Santo | Sinduscon-ES | Setembro de 2026 | R$ 3.479,99 |
| Goiás | Sinduscon-GO | Setembro de 2026 | R$ 2.795,37 |
| Bahia | Sinduscon-BA | Setembro de 2026 | R$ 2.734,31 |
| Ceará | Sinduscon-CE | Setembro de 2026 | R$ 2.971,06 |
| Sergipe | Sinduscon-SE | Setembro de 2026 | R$ 2.382,27 |
| Rondônia | Sinduscon-RO | Setembro de 2026 | R$ 2.728,06 |
| Distrito Federal | Sinduscon-DF | Agosto de 2026 | R$ 2.940,10 |
| Mato Grosso do Sul | Sinduscon-MS | Agosto de 2026 | R$ 2.175,07 |
| Paraíba | Sinduscon-JP | Agosto de 2026 | R$ 2.037,27 |
| Amazonas | Sinduscon-AM | Agosto de 2026 | R$ 3.742,05 |
Os demais estados não aparecem porque não divulgam o R1-N em página aberta. Em alguns, a tabela só abre por formulário ou cadastro. Em outros, o site publica apenas o projeto R8-N, ou estava fora do ar na data do levantamento. Para esses estados, o caminho é a página de CUB por estado do cub.org.br ou o site do Sinduscon local.
Entre os nove estados de setembro de 2026, o R1-N vai de R$ 2.382,27 em Sergipe a R$ 3.479,99 no Espírito Santo.
Para ver o quanto as duas referências diferem, compare São Paulo. Em setembro de 2026 o CUB R1-N é de R$ 2.690,33 por m², no valor sem desoneração (o Sinduscon-SP divulga as duas versões). O SINAPI de São Paulo, também sem desoneração, é de R$ 2.213,50 (caderno do SINAPI de setembro de 2026, IBGE), e com isso o CUB fica cerca de 21,5% acima. Essa diferença vem de projetos, padrões e metodologias diferentes, e por isso o mesmo orçamento não deve misturar os dois números. O valor de R$ 2.093,45 da tabela anterior é o de São Paulo com desoneração.
Lembre que o CUB de um mês só vale para aquele mês. Se você for usá-lo em proposta, confira se já saiu o do mês seguinte.
Qual é a diferença entre o SINAPI e o CUB?
O SINAPI é uma pesquisa de preços do IBGE e da Caixa que dá o custo médio do metro quadrado por local, com valor de referência também para obra pública. O CUB é calculado pelos Sinduscons sobre projetos-padrão da NBR 12.721, em três níveis de acabamento. Os dois estimam o valor do metro quadrado, com metodologias diferentes.
| Critério | SINAPI | CUB |
|---|---|---|
| Quem calcula | IBGE e Caixa | Sinduscon de cada estado |
| Base | Pesquisa de preços de insumos e mão de obra | Projetos-padrão da NBR 12.721 |
| Padrão de acabamento | Média ponderada de projetos residenciais de padrão normal | Baixo, normal e alto |
| Frequência | Mensal | Mensal |
| Uso mais comum | Referência de custo, inclusive obra pública | Estimativa de obra privada e de incorporação |
| O que fica de fora | Terreno, projetos, taxas, administração da obra, equipamentos, instalações provisórias, entre outros | Terreno, fundações, elevadores, projetos, impostos e taxas e a remuneração do construtor e do incorporador, entre outros |
Na dúvida sobre qual usar, a regra é simples. Para obra pública e para conferir material e mão de obra da execução, use o SINAPI. Para estimar obra privada num padrão de acabamento definido, use o CUB do seu estado. Nada impede de usar os dois e comparar.
Como usar o valor do metro quadrado para conferir o custo da sua obra?
Divida o que a obra já gastou em material e mão de obra pela área construída e compare com o m² do SINAPI do seu estado, separando os dois componentes. A diferença não diz que a obra está errada, diz onde olhar primeiro.
Quem toca a obra costuma descobrir o desvio tarde, quando o total já estourou. O m² de referência é um sinal de alerta barato, porque dá para calcular com dois números que você já tem. Este é o passo a passo.
- Some só material e mão de obra da execução. Tire terreno, projetos, taxas, administração da obra, equipamentos e instalações provisórias, que o SINAPI não inclui. Se houver empreiteiro com material incluso, separe a parte de material da de mão de obra.
- Divida pela área construída em m², e não pela área do terreno.
- Use o SINAPI do estado e do mês em que a obra foi executada, e não o de hoje.
- Separe material e mão de obra, porque o desvio quase sempre mora em um dos dois.
- Retire da comparação o que foge do padrão, como fundação especial e elevador.
- Trate a diferença como pergunta, não como veredito. Padrão de acabamento e logística explicam parte dela.
Exemplo de cálculo, com obra hipotética
Uma casa de 120 m² em São Paulo, com R$ 268.000,00 gastos em material e mão de obra, sendo R$ 130.000,00 de material e R$ 138.000,00 de mão de obra. A referência é o SINAPI de setembro de 2026 para São Paulo (R$ 2.093,45 no total, R$ 1.108,89 de material e R$ 984,56 de mão de obra).
| Item | Realizado | Realizado por m² | SINAPI SP, set/2026 | Diferença |
|---|---|---|---|---|
| Material | R$ 130.000,00 | R$ 1.083,33 | R$ 1.108,89 | -2,3% |
| Mão de obra | R$ 138.000,00 | R$ 1.150,00 | R$ 984,56 | +16,8% |
| Total | R$ 268.000,00 | R$ 2.233,33 | R$ 2.093,45 | +6,7% |
Olhando só o total, a obra está 6,7% acima da referência, o que muita gente aceitaria sem perguntar. Separando, o material está abaixo e o problema inteiro está na mão de obra, 16,8% acima. É aí que se investiga se o empreiteiro está acima do mercado, se houve hora extra, retrabalho ou apontamento mal feito.
Para essa conferência funcionar, o custo realizado precisa estar lançado por obra e no mês certo, e o resultado precisa ser lido com receita, custo e margem lado a lado, como num DRE de obra. Quem controla na planilha costuma fazer essa conta só no fim, quando não há mais o que corrigir.
Se o que você precisa agora é orçar a próxima obra antes de fechá-la, o software de orçamento de obras do i9 Orçamentos tem os bancos de preços, entre eles o SINAPI, para montar a proposta.
Conclusão
Conhecer o valor do metro quadrado construído serve para duas coisas, orçar com base e controlar com régua. Em setembro de 2026 o custo médio nacional pelo SINAPI é de R$ 1.999,73 por m², com diferença de cerca de 30% entre o estado mais caro e o mais barato. Antes de usar qualquer valor, confira o mês, o estado e o que está de fora.
Quem quiser se aprofundar nas duas referências pode ler o que é o SINAPI e o que é o CUB.



