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Como criar sua própria composição de custo unitário

Aprenda a criar sua própria composição de custo unitário em 6 passos, com exemplo prático, coeficientes medidos em obra e cálculo completo.

12 de agosto de 2026Irone27 min de leitura
Como criar sua própria composição de custo unitário
Orçamento de Obras · Composições de Custo

Toda base referencial tem um limite. Uma hora aparece o serviço que o SINAPI não cobre, o método executivo que a sua equipe usa e a tabela não prevê, ou o material regional que ninguém aferiu. Nesse momento, só existem dois caminhos — chutar um preço global ou montar a sua própria composição.

Tela de cadastro de composição própria no i9 Obras, com campos de descrição, unidade, insumos e coeficientes

Aprender a criar sua própria composição de custo é o que separa o orçamentista que copia preço do orçamentista que sabe defender cada centavo do que orçou. Neste guia você vai ver quando vale a pena criar, como a composição é estruturada por dentro, o passo a passo completo em seis etapas com exemplo numérico, o que os índices revelam sobre a sua obra e como manter a base própria viva ao longo do tempo.

Quando Vale a Pena Criar a Sua Própria Composição

Antes de qualquer coisa, um alerta de eficiência. Criar composição dá trabalho, e nem sempre compensa. Se existe uma referência oficial adequada ao seu serviço, use a referência — ela já foi aferida, é auditável e economiza horas do seu dia.

A composição própria entra em cena quando a base oficial não resolve. Quatro situações justificam o esforço.

1

O serviço não existe na base

Sistemas construtivos novos, acabamentos específicos, serviços de reforma e soluções sob medida raramente têm equivalente pronto nas tabelas referenciais.

2

A produtividade da sua equipe é outra

A composição oficial trabalha com produtividade média nacional. Se a sua equipe é mais rápida ou mais lenta, orçar pela média distorce o custo real da obra.

3

O material é regional ou negociado

Você compra direto do fabricante, tem preço de tabela negociado ou usa um material que só existe na sua região. O preço médio pesquisado não representa a sua realidade.

4

O método executivo é diferente

A base descreve um jeito de executar. Se você faz de outro — com outro equipamento, outra sequência ou outro traço —, o consumo de insumos muda junto.

Regra prática — se você olha para uma composição referencial e pensa "isso aqui não é bem o que eu faço", esse é o sinal. Ajustar coeficiente de uma composição existente resolve casos simples. Quando o desvio é grande, criar do zero é mais honesto e mais fácil de justificar depois.

A Anatomia de uma Composição de Custo

Uma composição é a receita de um serviço. Ela responde a uma pergunta única e específica, quanto custa executar uma unidade desse serviço, considerando tudo que entra nele. Toda composição, seja do SINAPI ou sua, tem os mesmos seis campos.

Campo O que é Exemplo
Código Identificador único dentro da sua base própria BP-0142
Descrição O serviço descrito com precisão técnica, sem ambiguidade Assentamento de porcelanato 60×60 cm com argamassa AC-III
Unidade A unidade de medida do serviço executado
Insumos Materiais, mão de obra, equipamentos e sub-composições Porcelanato, argamassa, rejunte, pedreiro, servente
Coeficiente Quanto de cada insumo é consumido por unidade do serviço 1,10 m² de porcelanato por m² assentado
Preço unitário O custo de cada insumo na sua realidade de compra R$ 62,00 por m² de porcelanato

Multiplique coeficiente por preço unitário em cada linha, some tudo e você tem o custo unitário do serviço. É esse mecanismo que sustenta as composições unitárias de qualquer base do mercado — e é o mesmo mecanismo que você vai reproduzir na sua.

Vale lembrar que a composição entrega custo, não preço de venda. BDI, impostos, risco e lucro entram depois, na formação do preço. Confundir os dois é o atalho mais rápido para vender obra no prejuízo.

Uma composição também pode conter outra composição dentro dela — o que se chama de sub-composição. Concreto usinado lançado, por exemplo, pode aparecer como item dentro de uma composição de laje. Isso evita repetir a mesma receita em vários pontos da base e é o mesmo princípio por trás de uma composição de preços unitários bem estruturada.

Como Criar Sua Própria Composição de Custo Passo a Passo

O processo para criar sua própria composição de custo cabe em seis passos. Siga na ordem — pular um deles costuma custar caro lá na frente. Para acompanhar o raciocínio com números, os passos usam um mesmo exemplo do início ao fim, o reboco interno de uma parede.

01

Conheça o serviço a fundo

Tudo começa em entender exatamente o que vai ser executado. Não basta o nome genérico do serviço, é preciso descrever o método, a especificação do material e as condições em que o trabalho acontece.

Escreva a descrição pensando em quem vai ler daqui a dois anos. "Reboco interno" não diz nada. "Reboco interno em argamassa de cimento, cal e areia, espessura de 2 cm, aplicado sobre alvenaria de blocos cerâmicos" já permite reconstruir o raciocínio do orçamento.

Defina também a unidade nesse momento, e escolha aquela em que o serviço é efetivamente medido na obra. Se a equipe mede a parede em metros quadrados, não faz sentido montar a composição em metros cúbicos.

02

Identifique os insumos, um por um

Aqui mora uma confusão que aparece até entre profissionais experientes. O serviço é aquilo que a obra entrega e que o cliente mede, como uma parede rebocada ou um piso pronto. O insumo é o recurso consumido para chegar lá. A composição faz justamente essa ponte, traduzindo um serviço em uma lista de recursos com quantidades.

Percorra a execução mentalmente, do começo ao fim, e verifique se as três famílias de recurso aparecem na sua lista. Material é tudo que se incorpora à obra ou se consome durante a execução, dos insumos principais aos acessórios que ninguém lembra, como fita, espaçadores e aditivos. Mão de obra são as horas de cada função envolvida no serviço, incluindo o pessoal de apoio que costuma passar batido. Já equipamento abrange as máquinas e ferramentas usadas, próprias ou alugadas, cobradas pelo tempo em que ficam à disposição do serviço.

Quando uma dessas famílias some da composição, o custo fica sistematicamente baixo. A ausência de equipamento é o esquecimento mais comum, e o mais caro.

03

Levante o custo de cada insumo

Com a lista pronta, atribua um valor a cada linha. Materiais saem de cotações recentes, notas fiscais ou da base referencial que você adota. Registre sempre a data e a origem do preço, porque sem isso você não consegue atualizar nem justificar depois.

Na mão de obra, o erro clássico é lançar o salário sem os encargos. O custo horário real é bem maior do que a remuneração dividida pelas horas, e essa diferença sozinha derruba a margem de uma obra. Some ainda os encargos complementares, que não aparecem no contracheque, como equipamentos de proteção, ferramentas, exames e transporte. Sem o cálculo próprio da sua folha, os percentuais publicados mensalmente pela CAIXA no SINAPI servem de parâmetro.

Equipamento não entra pelo preço de compra nem pelo aluguel mensal jogado direto na conta, mas por um custo horário que reúne depreciação, manutenção, combustível e operador. Máquina própria custa dinheiro mesmo quando ninguém emite boleto por ela.

Não é detalhe menor. O próprio SINAPI dedica um capítulo inteiro ao custo horário de equipamentos, separando depreciação, juros, manutenção, materiais na operação e mão de obra do operador, e distinguindo custo horário produtivo de improdutivo.

No exemplo do reboco, suponha a argamassa a R$ 420,00 o metro cúbico, a hora de pedreiro a R$ 25,60 e a de servente a R$ 19,40, as duas já com encargos sociais embutidos — sobre material não incide encargo nenhum. E se a argamassa for produzida no canteiro, o rigor manda tratá-la como sub-composição, com cimento, cal, areia e a mão de obra do preparo dentro dela.

04

Meça o consumo real em obra

Este é o passo que separa a composição confiável da composição inventada. Observar uma única unidade de serviço não funciona. O jeito certo é acompanhar uma quantidade razoável de trabalho e anotar três informações, quanto de serviço foi entregue, quantas horas cada função gastou e quanto de material saiu do estoque.

Continuando o exemplo, a equipe executou 12 m² de reboco interno. Um pedreiro e um servente trabalharam 9 horas cada um, e foram consumidos 0,34 m³ de argamassa. Esses três números bastam.

Um cuidado importante sobre quando medir. O rendimento da equipe não é constante ao longo da obra. Nos primeiros dias de um serviço novo ele é menor, porque o pessoal ainda está descobrindo o método e o ritmo. Conforme o serviço se repete, o desempenho melhora e tende a estabilizar. Se você medir logo na estreia, vai congelar o pior momento dentro da sua composição.

Vale saber que esse é, no fundo, o mesmo caminho que a CAIXA percorre. O livro SINAPI: Metodologias e Conceitos dedica o capítulo 7 ao método de aferição das referências, com etapas que vão da identificação das obras ao levantamento de dados em campo e à análise separada de mão de obra, materiais e equipamentos. A diferença entre o que eles fazem e o que você está fazendo aqui é de escala, não de técnica. A referência oficial mede em uma amostra de obras e publica a média. Você mede na sua e fica com o número que representa a sua operação.

Vale também repetir a medição em duas ou três execuções e trabalhar com a média, para não correr o risco de ter capturado um dia atípico, com chuva, falta de material ou equipe desfalcada.

05

Calcule os índices de consumo

Agora é só dividir o que foi consumido pela quantidade de serviço entregue.

Pedreiro — 9 h ÷ 12 m² = 0,75 h/m²

Servente — 9 h ÷ 12 m² = 0,75 h/m²

Argamassa — 0,34 m³ ÷ 12 m² = 0,0283 m³/m²

A perda já está dentro do número, porque o volume anotado foi o que saiu do estoque, e não o volume teórico do papel. Repare também que cada função tem o seu próprio índice, mesmo tendo trabalhado lado a lado. Pedreiro e servente custam valores diferentes por hora, e em outro serviço a proporção entre os dois pode mudar.

O índice não pertence ao serviço, pertence à condição

Nenhum índice é característica fixa do serviço. Ele descreve aquele serviço executado naquelas condições, e basta a condição mudar para o número mudar junto.

Com equipamento dá para calcular. Um rolo compactador de 1,60 m de largura útil, a 3 km/h, em camadas de 20 cm e fator de eficiência de 0,80, entrega 128 m³ por hora quando o solo fecha a compactação em 6 passadas, o que dá um índice de 0,0078 h/m³. Se o material exigir 10 passadas, a produtividade cai para 76,8 m³ por hora e o índice sobe para 0,0130 h/m³, 67% maior. Mesmo rolo, mesmo operador, mesmo serviço. Com a hora da máquina a R$ 180,00, são R$ 3.750,00 de diferença em um aterro de 4.000 m³.

Com mão de obra o raciocínio é o mesmo, sem fórmula fechada. Reboco rende menos em ambiente recortado do que em parede corrida, e assentamento rende menos em paginação diagonal. Por isso, anote sempre a condição junto com o número, e não tenha receio de manter mais de um índice para o mesmo serviço. É aí que a base própria ganha da base referencial, que precisa publicar um valor médio válido para todo mundo.

Fechados os números, use as bases oficiais como conferência de sanidade. O SINAPI cobre bem os serviços de edificações em todo o país, e a ORSE traz um detalhamento complementar. Índice muito distante do publicado para um serviço equivalente merece explicação antes de seguir.

06

Feche o custo unitário do serviço

O fechamento é aritmética simples. Multiplique o índice pelo custo de cada insumo, some as linhas e você tem o custo de uma unidade do serviço.

Insumo Un. Índice Custo unit. Total
Argamassa de cimento, cal e areia0,0283R$ 420,00R$ 11,89
Pedreiro (com encargos)h0,75R$ 25,60R$ 19,20
Servente (com encargos)h0,75R$ 19,40R$ 14,55
Custo unitário do serviçoR$ 45,64/m²

Antes de dar o trabalho por encerrado, faça uma conferência. Compare o resultado com uma composição referencial parecida ou com o custo real de uma obra que você já executou. Diferença grande não significa erro automático, mas significa que existe uma explicação, e você precisa saber qual é antes de usar a composição em um orçamento de verdade.

Por fim, tenha claro que o que saiu dessa conta é custo, não preço de venda. Despesas indiretas, administração, impostos, risco e lucro entram depois, na formação do preço. Misturar as duas coisas dentro da composição impede a comparação com bases oficiais e complica qualquer defesa em auditoria.

Como Interpretar uma Composição de Custo Unitário

Depois de pronta, a composição costuma ser arquivada como documento de preço. É desperdício. Lida na direção contrária, ela vira o plano de execução daquele serviço, e todas as informações necessárias já estão ali.

Volte à composição do reboco e suponha que os quantitativos levantados apontem 260 m² de parede.

O índice de mão de obra vira prazo e equipe. São 0,75 h/m² de pedreiro, o que dá 195 horas de pedreiro para a parede inteira. Com dois pedreiros em jornada de 8,8 horas, o serviço leva pouco mais de onze dias. Nenhuma dessas contas exige cronograma, planilha auxiliar ou reunião. Elas saem direto do índice.

A relação entre as funções revela o arranjo da equipe. Pedreiro e servente aparecem com o mesmo índice, ou seja, um servente para cada pedreiro. Se na obra você observar um servente atendendo três pedreiros, existe um desencontro, e ele só tem duas explicações possíveis, ou a composição não descreve o seu jeito de trabalhar, ou a equipe está mal dimensionada e alguém está esperando material.

O índice de material vira ordem de compra e parâmetro de controle. São 0,0283 m³/m², portanto 7,36 m³ de argamassa para os 260 m². Esse número diz quanto comprar e, mais importante, diz quanto deveria ter sido consumido. Se o almoxarifado entregou bem mais do que isso ao fim do serviço, a perda real superou a perda prevista, e vale investigar antes que o mesmo desvio se repita na próxima frente.

Consumo acima do teórico é sinal de perda. Índice de material bem acima do volume geométrico raramente é característica do serviço. Costuma apontar desperdício, sobra que ninguém contabilizou, retrabalho ou método executivo ineficiente. No reboco de 2 cm, o volume geométrico é de 0,02 m³/m² e o consumo medido foi de 0,0283 m³/m², cerca de 42% acima. A R$ 420,00 o metro cúbico, essa diferença custa R$ 3,50 por metro quadrado, ou R$ 910,00 nos 260 m² da parede.

Com equipamento, o índice denuncia ociosidade. Quando o custo horário da máquina pesa muito mais do que a produção esperada justificaria, quase sempre existe tempo parado embutido, esperando frente de serviço, aguardando caminhão ou dependendo de outra equipe. Esse é um problema de sequenciamento, não de máquina cara, e a composição é onde ele aparece primeiro.

Ler assim muda o papel da composição dentro da empresa. Ela deixa de ser um documento que serve para fechar preço e passa a ser um instrumento de acompanhamento, capaz de dizer quanta gente alocar, quanto material comprar, o que conferir durante a execução e onde a obra está escapando do previsto.

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Os 5 Erros Mais Comuns em Composições Próprias

Esquecer insumos secundários

Espaçadores, fita, fixadores, aditivos, energia de equipamento. Cada item que fica fora vira uma sangria pequena e constante — que só aparece no fechamento da obra, quando já é tarde.

Lançar mão de obra sem encargos

O salário nominal é uma fração do custo real do profissional. Sem encargos sociais e complementares, a composição fica sistematicamente barata demais.

Misturar unidades

Composição em m² com coeficiente pensado em m³, ou material comprado em saco e lançado em quilo sem conversão. É o erro mais silencioso e o que mais distorce o resultado final.

Coeficiente sem origem registrada

Seis meses depois, ninguém lembra de onde veio aquele 1,15 — nem você. A composição vira uma caixa-preta impossível de revisar ou defender.

Criar e nunca mais atualizar

Preço de insumo envelhece rápido. Uma composição própria montada há dois anos e nunca revisada é mais perigosa do que não ter composição nenhuma, porque transmite falsa segurança.

Como Manter Sua Base Própria Atualizada

Uma base própria é um ativo da empresa — e, como todo ativo, precisa de manutenção. A rotina não precisa ser pesada, mas precisa existir.

Separe os dois elementos que envelhecem em ritmos diferentes. Preço muda o tempo todo, coeficiente muda raramente. Isso permite uma manutenção em dois níveis — e em anos de custos pressionados, a revisão de preços deixa de ser recomendação e vira necessidade.

  • Preços, revisão mensal ou trimestral — atualize o valor dos insumos com cotações recentes. Concentre o esforço nos itens que representam a maior parte do custo, que costumam ser poucos.
  • Coeficientes, revisão anual ou por mudança de método — só mexa quando a equipe mudar, o equipamento mudar ou o método executivo mudar. E, quando mexer, registre o motivo.
  • Confronto com o realizado — ao final de cada obra, compare o consumo previsto pelas suas composições com o consumo real. Esse confronto é a melhor fonte de calibração que existe, e conecta o orçamento diretamente à gestão financeira de obras.

É aqui que o sistema faz diferença, e vale entender exatamente como a atualização se propaga. Ao alterar o preço de um insumo na base própria, todas as composições próprias que usam aquele insumo são recalculadas automaticamente. Sua base fica coerente sem nenhum trabalho manual.

Os orçamentos já montados, porém, não mudam sozinhos — e isso é proposital. Uma proposta enviada ao cliente na semana passada não pode se alterar sozinha porque o cimento subiu ontem. Quando você quiser trazer os novos valores para dentro de um orçamento existente, existem dois caminhos. Dentro do próprio orçamento, em Ferramentas, a opção de sincronizar dados busca os valores atualizados no seu banco próprio e aplica nos itens. E quando a intenção não é atualizar item a item, o ajuste de preços em lote permite aplicar um percentual geral ou segmentado por tipo de insumo sobre os itens do orçamento.

Em arquivos soltos, cada uma dessas mudanças vira um trabalho manual de horas — e uma chance nova de erro a cada revisão. O passo a passo para criar insumos, composições e manter o banco próprio está detalhado na documentação do sistema.

Vale lembrar, por fim, que a composição própria vive dentro do orçamento analítico. No orçamento sintético ela aparece apenas como uma linha de custo unitário — mas é o detalhamento por trás dessa linha que permite defender o número, negociar com o cliente e comprar certo na obra. E quando você quiser comparar a sua composição com a referência oficial equivalente, a estrutura de uma composição SINAPI e os valores da tabela SINAPI continuam sendo o melhor ponto de conferência disponível.

Conclusão

Criar composição não é um exercício acadêmico. É o que garante que o orçamento reflita a obra que a sua empresa realmente executa, com a sua equipe, os seus fornecedores e o seu método — e não uma média nacional que talvez não se pareça nada com o seu canteiro.

Comece pequeno. Escolha os três ou quatro serviços que mais se repetem nas suas obras, meça o consumo e a produtividade reais em uma execução, monte as composições com calma e documente cada premissa. Em poucos meses você terá uma base própria que orça mais rápido, mais preciso e muito mais defensável do que qualquer estimativa. Saber criar sua própria composição de custo deixa de ser um trabalho extra e passa a ser a sua vantagem competitiva.

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Perguntas Frequentes

Qual a diferença entre criar uma composição e ajustar uma composição existente?

Ajustar significa partir de uma composição referencial e alterar coeficientes ou preços de itens específicos, mantendo a estrutura original. Criar significa montar a composição do zero, definindo descrição, unidade, lista de insumos e todos os coeficientes. Ajustar resolve casos em que o serviço é essencialmente o mesmo, com pequenas diferenças. Criar é o caminho quando o serviço não existe na base ou quando o método executivo é substancialmente diferente.

Como descobrir o coeficiente de mão de obra da minha equipe?

Meça em obra. Anote, durante alguns dias, a quantidade de serviço executada e o total de horas gastas pela equipe naquele serviço. Divida as horas pela quantidade produzida e você tem o coeficiente por unidade. Por exemplo, 9 horas de trabalho para 12 m² resultam em 0,75 hora por metro quadrado. Três ou quatro medições em obras diferentes já dão uma média confiável.

Preciso incluir BDI dentro da composição de custo?

Não. A composição entrega o custo unitário direto do serviço, formado por materiais, mão de obra com encargos e equipamentos. O BDI é aplicado depois, sobre o custo total do orçamento, e embute despesas indiretas, administração central, impostos, risco e lucro. Misturar os dois dentro da composição impede a comparação com bases referenciais e dificulta a análise em auditoria.

Com que frequência devo atualizar minhas composições próprias?

Separe preços de coeficientes. Os preços dos insumos merecem revisão mensal ou trimestral, com foco nos itens de maior peso no custo. Os coeficientes só precisam ser revistos quando muda a equipe, o equipamento ou o método executivo — e, idealmente, uma vez por ano, confrontando o consumo previsto com o consumo real das obras entregues.

Uma composição pode conter outra composição?

Sim, e isso é chamado de sub-composição. Um serviço complexo pode incluir, como item, uma composição já existente — por exemplo, uma composição de laje que utiliza internamente a composição de concreto usinado lançado. O recurso evita repetir a mesma receita em vários pontos da base, e a atualização de um insumo se propaga automaticamente para todas as composições próprias que dependem dele.

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